Descobrindo Cuzamá e seus cenotes pouco explorados em Yucatán

Minha viagem ao estado mexicano de Yucatán trouxe a oportunidade de conhecer Cuzamá e seus espetaculares cenotes pouco explorados pelo turismo de massas.

Recentemente realizei uma atividade turística que de fato posso considerar ter sido algo "inusitado". Conheci Cuzamá, onde existem cenotes pouco explorados em Yucatán. Em minha mais recente viagem ao México, tive a oportunidade de explorar a cidade histórica de Mérida e seus arredores. É claro que estava nos meus planos a visita ao Chichén Itzá, um dos sítios arqueológicos mais emblemáticos presentes em território mexicano, contudo o foco da minha viagem até o estado de Yucatán era completamente diferente: eu queria visitar alguns dos cenotes mais espetaculares e pouco desbravados por brasileiros nessa região do planeta.

Eu estava muito despreparado a nível de planejamento. Eu só sabia que queria conhecer alguns cenotes espetaculares e que de preferência fossem pouco visitados por turistas em geral. Se você ainda não sabe o que é um cenote tenha calma pois eu vou explicar..., os cenotes são verdadeiras piscinas naturais esculpidas pelas mãos da mãe natureza e estão presentes aos milhares na Península de Yucatán. Até então já existem mais de 7.000 cenotes catalogados tanto em Quintana Roo (estado mexicano onde estão Cancun, Tulum e Playa del Carmen), quanto em Yucatán (estado em que a capital é a cidade de Mérida).

Cenotes pouco explorados em Yucatán

Com tantos cenotes espalhados por um vasto território que ocupa dois estados mexicanos, de fato que não seria tão difícil assim conseguir conhecer alguns dos cenotes que são menos explorados pela massa turística que visita tanto Cancun quanto Mérida. E por que eu queria conhecer um cenote que fosse menos explorado turisticamente?! Simples! Pois eu tinha o profundo interesse de nadar nas águas translucidas dessas piscinas naturais sem a molecada correndo e pulando ao meu lado, ou com centenas de pessoas disputando o mesmo espaço que eu. Queria silêncio para fazer meus mergulhos conectando-me ao meu próprio interior, buscava paz de espírito para compreender o quão espetacular são esses lugares que consegui visitar, meu objetivo era ter uma experiência mais pessoal com esse tipo de ambiente, algo próximo ao que consegui encontrar visitando "Los 7 Cenotes".

Visitando a cidade de Cuzamá - Yucatán
Visitando a cidade de Cuzamá - Yucatán

Ao chegar a Mérida comecei a realizar minhas pesquisas. Questionei a vários mexicanos sobre alguns dos cenotes que eles julgavam ser mais bonitos, mas sempre me indicavam lugares que eram repletos de turistas durante o decorrer do dia, eu buscava algo mais exclusivo, que de fato me surpreendesse e fizesse valer a pena minha viagem até a Península de Yucatán. Foi quando eu escutei alguém falar em uma cidadezinha chamada Cuzamá, distante algumas horas de Mérida.

Pesquisei a fundo na internet quando ouvi falar da tal cidadezinha chamada Cuzamá, encontrei pouquíssimo conteúdo em língua portuguesa, quase inexistente, parecia que ninguém que falava português até então tinha conhecimento sobre esse lugar. Encontrei vários posts em espanhol e alguns reviews em sites muito turísticos na língua inglesa. Todo mundo falava muito bem desse passeio, diziam que era uma experiência verdadeiramente interessante para ser adquirida e o melhor de tudo, era muito barato!

Tudo isso me animou bastante! Afinal de contas parecia que tudo se encaixava, iria conhecer um lugar pouco explorado por brasileiros que visitam Yucatán e imediações, teria a oportunidade de viver uma típica experiência mexicana de passeio a cenotes muito preservados e pagaria uma barbada por tudo isso. Eu já estava convencido de que iria conhecer os cenotes de Cuzamá e assim o fiz logo pela manhã do dia seguinte à minha decisão.

Sendo puxado por uma carroça sobre trilhos para conhecer cenotes em Yucatán
Sendo puxado por uma carroça sobre trilhos para conhecer cenotes em Yucatán

A logística para conhecer esses cenotes era bem simples: deveria ir para a principal rua de comércio de Mérida, onde fica um dos terminais rodoviários da cidade e encontrar uma VAN que faz o transporte coletivo diário até a cidade de Cuzamá. O preço foi tão barato que até me esqueci, era algo em torno dos R$ 5,00 para o deslocamento até onde começa a diversão. Pesquisando na internet descobri que ao chegar no ponto de partida para o passeio, que seria necessário negociar com os guias regionais, que levam os turistas em carrocinhas puxadas por cavalos em um trilho parecido com os utilizados pelos trens.

Cenote Escuro subterrâneo próximo a Cuzamá

Como as carrocinhas possuem espaço para 4 pessoas viajarem tranquilas junto com o guia, o custo poderia ser compartilhado por um grupo de té 4 pessoas. Fiz amizade com um grupo de viajantes que estava com os mesmos objetivos que eu, eram 3 viajantes dentro da VAN que iriam até Cuzamá, formamos assim um grupo de 4 pessoas. Tudo isso fez o nosso custo ser dividido por 4, pagamos cerca de 350 pesos para as 4 pessoas e nosso passeio de 3 horas por 3 cenotes estava garantido.

Tudo foi muito rápido na hora da negociação. Rapidamente fiz a contabilidade dos custos, dividi entre os integrantes do grupo, pagamos o guia e montamos na nossa carrocinha. Fomos puxados por um cavalo por alguns quilômetros até chegarmos no primeiro cenote do dia. A trilha completa deveria dar algo em torno dos 7 quilômetros e não era possível ser feita sem a intermediação dos guias e suas carroças, eles que controlam o acesso ao cenote e coordenam todo itinerário da viagem e o tempo gasto em cada cenote.

Cenote subterrâneo no meio das raízes de uma árvore
Cenote subterrâneo no meio das raízes de uma árvore

Bom, digamos que o primeiro cenote foi meio sem graça, contudo ao mesmo tempo desafiador. Era a minha primeira vez em um cenote completamente escuro e eu não sabia o que viria pela frente. Uma pessoa do meu grupo ficou para trás quando viu a escadinha que descia por uma fenda no meio das pedras até o suposto cenote.

Escada íngreme que dá acesso ao cenote subterrâneo
Escada íngreme no meio das raízes que dá acesso ao cenote subterrâneo

Descemos pela escada tateando as paredes para conseguir entender um pouco do ambiente que nos rodeava, fazia calor e sentia uma forte umidade quanto mais próximo estava das águas do cenote. O guia ficou no topo da escada iluminando o caminho para nós com uma lanterna fraquinha. Quando percebi que meus pés tocaram a água, de fato compreendi que estava prestes a fazer uma loucura...

Nadando em um cenote completamente escuro
Nadando em um cenote completamente escuro

Pulei naquela água sem conseguir ver nada. Fechei os olhos antes de pular e quando toquei o cenote fui envolto por uma água relativamente quente, porém refrescante, profunda. Não conseguia ver nada além dos pequenos feixes da luz refletida pela lanterna do guia rompendo a escuridão da caverna.

Cenote Chacsinicche

Foi difícil acostumar à escuridão desse primeiro cenote, quando percebi que estava no meio da caverna nadando no cenote eu não acreditava que tinha realizado tal feito. Fomos pegando confiança e ficamos por ali imersos na escuridão daquela caverna, admirando as texturas presentes em seu interior até o momento em que o guia nos convidou para seguir o passeio.

O próximo cenote foi algo assim bem parecido com a experiência que eu estava buscando...

Cenote Chacsinicche no México
Segundo cenote visitado no dia: Chacsinicche

Não demorou mais do que 15 minutos o trajeto em que fomos do primeiro cenote completamente coberto até o próximo, que também tinha sua abertura próxima às raízes de uma grande árvore. Essas raízes escorriam para dentro do ambiente da caverna, tentando se esticar ao máximo para alcançar as águas do cenote. Através de uma escada rústica de madeira, adentramos aquele recinto ainda meio que chocados com a paz e a beleza que encontramos pela frente.

Transparência impressionante de águas em cenotes mexicanos
Transparência impressionante de águas em cenotes mexicanos

Não foi preciso mais nada. Pulamos na água, cada um do seu jeito, mergulhamos, nos divertimos, só nós 4. Demoramos mais do que uns 40 minutos nadando, explorando cada canto do cenote Chacsinicche, nome maia que para mim era praticamente impronunciável.

Águas esverdeadas em Cenotes próximos a Cuzamá, em Yucatán
Águas esverdeadas em Cenotes próximos a Cuzamá, em Yucatán

Dependendo do lugar que a gente ficava e da quantidade de sol que conseguia penetrar no cenote, a cor da água ia transformando. Tinha hora que estava mais azulada, outra hora ficava com um tom meio ver esmeralda, um espetáculo a parte dos cenotes mexicanos.

Água tão transparente que é possível ver o fundo
Água tão transparente que é possível ver o fundo

Quando chegou um novo grupo o guia já foi logo nos vigiar na pequena abertura natural que existe para a escada de madeira que leva até as águas do cenote. Não demorou muito tempo e ele já começou a chamar os nomes, ficamos um bom tempo e acredito que a experiência foi muito válida quando estávamos só nós 4 dentro da piscina.

Uma piscina natural em uma caverna no México
Uma piscina natural em uma caverna no México

Foi bom pois cada um teve seu espaço resguardado e a experiência particular de cada um foi garantida. Todo mundo saiu com um sorrisão grande estampado na face. Esse cenote em particular não era muito bom para saltar nas águas, mas o segundo prometia um pouco mais de aventura...

Cenote Bolonchojol

Da mesma forma que antes, nos acomodamos na carrocinha que foi puxada pelo cavalo em trilhos de trem que nos levou até o terceiro cenote do dia. Por um breve momento só escutávamos o barulho das rodas trilhando o caminho para o próximo cenote, desde que o silêncio e a paz interior reinava em nosso grupo.

Sim, quando chegamos ao terceiro cenote foi aquele WWWOOOOOOOWWW que lugar mais lindo!

Cenote com água azul impressionante
Terceiro cenote do dia: Bolonchojol

E completamente vazio. Não tinha uma pessoa sequer nas imediações do cenote, éramos os únicos mais uma vez. A explosão de alegria se materializou em um salto rumo às águas cristalinas do cenote Bolonchojol. Essa piscina natural parecia um pouco mais estruturada do que as outras. Não perdemos tempo, todos do grupo saltaram rumo às águas azuis deste novo cenote.

Terceiro cenote do dia: Bolonchojol
Cenote com água azul impressionante

Era difícil decidir o que fazer. Se eu tirava fotos ou mergulhava. Se praticava snorkel ou se nadava. Se me lançava em um novo salto (que dá uma adrenalina bem legal) ou se encontrava um lugar para me sentar dentro do próprio cenote e ficava por ali admirando aquelas cores espetaculares que pareciam saltar aos nossos olhos.

Fácil acesso e diversão garantida em Cenotes de Cuzamá
Fácil acesso e diversão garantida em Cenotes de Cuzamá

Mais uma vez um novo grupo chegou ao cenote e não demorou muito para nosso guia vir nos procurar. Eu percebi que ele estava esperando uma propina para nos deixar um pouco mais de tempo, porém enrolei ele por alguns minutos e permaneci na diversão.

A água desse cenote mais uma vez conseguia ter cores espetaculares a todo momento. Era impressionante ver outras pessoas mergulhando e notar o quão transparente era a água, um verdadeiro espetáculo da natureza disponível aos visitantes da Península de Yucatán (e com custo para visitação realmente irrisório).

Águas realmente muito convidativas em cenote mexicano
Águas realmente muito convidativas em cenote mexicano

Depois de muito mergulhar, fotografar, divertir, nadar e refletir na vida diante daquele espetáculo natural, fizemos o nosso trajeto de volta ao princípio da trilha de trens (que são puxados por cavalos heheh), uma experiência que de fato não veio empacotada por uma agência de viagens, tampouco era vendida por guias turísticos de Mérida, um verdadeiro achado na Península de Yucatán.

Para conhecer mais sobre o México e explorar lugares assim, não deixe de nos visitar regularmente. Se gostou da matéria, se conhece lugares assim, se visita lugares com os mesmos objetivos que eu, lhe convido a deixar um comentário expressando o que sentiu enquanto estava lendo essa matéria, vai ser um prazer responder cada um deles pessoalmente.

Luiz Jr. Fernandes
Autor

Luiz Jr. Fernandes

Analista de TI, empresário, fotógrafo e viajante.
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